Sustentabilidade Inteligente

25 junho 2005

Acidentes e Desastres Naturais

Há um interesse crescente no mundo pelo gerenciamento dos desastres naturais. O tsunami no Oceano Índico, as enchentes na China, a ameaça "El Niño", os vendavais na costa leste norte-americana e América Central, causaram grandes perdas humanas e patrimoniais, e indicam a existência de riscos imponderáveis que preocupam o sistema financeiro mundial.
As questões naturais começam a ficar mais importantes, quando o capitalismo passa a se preocupar com elas. Um desastre natural pode levar à inadimplência dos devedores e à perda de valores financiados. Não é por outra razão, que os bancos e as seguradoras estão crescentemente preocupados com os acidentes naturais (que podem se transformar em desastres) e estão estudando e propondo medidas para as ações preventivas, como para as de recuperação.
Os acidentes naturais podem ser classificados em função da interferência (ou não) humana, da previsibilidade e dos impactos sobre a vida humana.
Os terremotos são aqueles que provavelmente tem menor interferência humana - direta ou indireta - são de dificil previsibilidade, quanto ao momento e intensidade de ocorrência, mas com grandes impactos sobre a vida humana. É possível a prevenção, quando há recursos, como o caso do Japão, que sujeito a terremotos tem todas as suas grandes edificações com tecnologia antí-sísmica. Áreas pobres não tem a mesma condição e a amplitude dos desastres é muito maior. Na prática, os impactos sobre o homem está relacionado com o nível de renda das populações atingidas.
Vendavais, tufões, tornados e outros fenômenos dos ventos são previsíveis, embora nem sempre com a precisão em relação ao momento e às rotas. Alguns deles se formam e se dissipam no mar, não atingindo áreas habitadas (que representam um parcela pequena de todo o universo terrestre). Mais uma vez os efeitos são diferenciados em relação à renda da população atingida. O mesmo furacão que causa milhares de mortes no Haiti, causa prejuizos patrimoniais nos EUA, sem perdas de vidas.
É um acidente natural previsível, monitorável, com alguma antecedência (a tecnologia vem aumentando esse tempo de antecedência), permitindo a adoção de medidas de defesa civil, para redução das perdas humanas e patrimoniais.
Há toda uma discussão sobre os efeitos da ação humana, na mudança de climas que poderiam estar favorecendo a formação e a intensidade dessas "ventanias". O fenômeno "El Niño" seria consequência dessas mudanças, promovidas pelo homem sobre a crosta terrestre.
O desastre que mais afeta as pessoas e patrimônios são as enchentes, principalmente nas áreas urbanas, em que a par do fenômeno natural, há uma grande contribuição humana. De uma parte o desmatamento contribui para o aumento da erosão, o assoreamento dos cursos, alterações na evaporação e as mudanças na velocidade das águas.
De outra parte, nas cidades, o elevado grau de impermeabilização do solo e as retificações / canalizações dos córregos contribuem para um carreamento maior e mais rápido de água suja para os rios principais, que acabam transbordando.
É, no entanto, o acidente natural que pode ser objeto de maior gerenciamento, seja pelas medidas preventivas, como pelo monitoramento da sua eventual ocorrência, com o acionamento a tempo da defesa civil.
O foco no gerenciamento dos "desastres naturais" tem levado a mudanças na visão tradicional dos estudos de impactos ambientais, mais voltados para a preservação vegetal e animal.
Os impactos mais importantes hoje estão nos efeitos sobre o clima da terra (objeto do Tratado de Quioto) e sobre as enchentes, principalmente, as urbanas.
Gestão por bacias hidrograficas, monitoramento das prováveis ocorrências, controles operacionais centralizados e em rede, tomada de decisões com base em modelos e simulações, são avanços pequenos mas persistentes na direção de uma redução dos efeitos deletérios de um acidente que se transforma em desastre natural.